25 julho, 2011

HOMILIA MADRE MARTHA LÚCIA, OSB NO NOVICIADO DOS OBLATOS

Caríssimos irmãos e irmãs

                               Com alegria nos reunimos, hoje, aqui em nossa igreja, na véspera da solenidade de N.P.São Bento, para acolher esses nossos dois irmãos, Gustavo e Ana Paula para iniciarem seu noviciado de oblatos.
                               O oblato é um cristão desejoso de viver com convicção e profundidade o Evangelho e que descobriu na Regra de São Bento um caminho de luz que lhe facilita seguir o Cristo e o estimula a servir a Deus e aos irmãos com um amor mais puro e generoso, em seu próprio estado de vida.
                               A oblação pressupõe, pois, um cristão convicto e conseqüente, que sabe muito bem que encontrará melhor modo de ser fiel a Cristo e ao Evangelho no lugar e na situação concreta em que Deus o colocou. Não é necessário que fuja às realidades da vida para ser um bom cristão. Pelo contrário, é preciso assumi-las plenamente, infundindo-lhes, porém, um novo espírito, olhando-as com uma nova visão, orientando-as para um fim superior. É a novidade que vem do Evangelho.
                               E isto é fácil e ao mesmo tempo difícil.
                               É fácil, porque esta nova visão nasce espontaneamente do dom da fé que nos foi comunicado pelo batismo. Contudo, torna-se difícil, porque a fé exige uma educação e um treinamento que estimulam o exercício desta visão e ensinam o mover-se de acordo com ela.
                               São Bento no Prólogo da Regra dirige-se a “quem quer que sejas, que renunciando às tuas próprias vontades, empunhas as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência, para militar sob o verdadeiro Rei, Cristo Senhor”. Numa linguagem mais moderna, poderíamos dizer que ele se dirige a todos os cristãos que, deixando de mover-se por razões e reações puramente naturais, querem ser guiados pela luz da fé, para seguir o Cristo. Por isso São Bento se propõe constituir “uma escola do serviço do Senhor”, onde possam aprender a “progredir na fé e na observância das boas obras, guiados pelo Evangelho”, a fim de trilhar o mesmo “caminho d’Aquele que nos chamou para o seu Reino”(Prólogo).
                               A Regra, onde São Bento explica todas estas coisas não é outro Evangelho. É simplesmente um ensinamento teórico e prático, que pode facilitar uma compreensão mais profunda do Evangelho de Jesus Cristo e um cumprimento mais fiel de suas exigências.
                               O oblato beneditino descobriu que os ensinamentos de São Bento se adaptam bem à sua maneira de ser, à sua formação, ao seu modo de formular o ideal evangélico. Por isso, toma como “mestra de vida” a Regra de São Bento.
                               Podemos pegar três elementos que caracterizam muito bem a vida beneditina: “Ora et labora “ e “Pax”.
                               “Ora” implica amor ao silêncio e à oração, seja comunitária, seja individual.
                               “Labora” significa o trabalho executado como ascese e autodomínio por amor não ao trabalho como tal, mas por amor a Deus.
                               “Pax” quer dizer harmonia das pessoas entre si na comunidade ou na família e, mais ainda, harmonia dos sentimentos, o reto dimensionamento dos valores, donde resulta uma certa beleza de vida. – “Paz”, diz Santo Tomás, é “a tranqüilidade da ordem” – o que não pode deixar de ser bom e belo.
                               Que vocês por sua conduta de vida, possam ser instrumentos de paz para todos ao seu redor, testemunhando através do trabalho, o desejo de uma vida unida a Deus, uma vida que tem Deus por primazia, aprofundando cada dia os valores evangélicos.
                               Ouvimos nas leituras o convite de São Bento a escutarmos, que é essa atenção amorosa a tudo que vem de Deus. Escutar é algo mais que ouvir; é procurar assimilar e aprofundar o que nos vem ao encontro. É assimilar a Palavra de Deus para ser traduzida numa vivência sempre mais fiel ao Evangelho, realizando uma caminhada ao encontro do Senhor.
                               Esse Senhor que se apresenta como Pastor, como Bom Pastor, que nos conhece, que nos chama, que nos carrega. Sejamos ovelhas dóceis, que reconhecem a Voz do seu Senhor.
                       Para terminar, gostaria de ilustrar o que acabei de dizer com uma imagem            muito bela e profunda usando a lição do bambu:

Um jovem perguntou ao ancião como podia uma figueira que é uma árvore frondosa e imensa cair com o vento e com a chuva e o bambu tão fraco continuar de pé. O ancião respondeu-lhe:
O bambu permanece em pé porque teve a humildade de se curvar na hora da tempestade. A figueira quis enfrentar o vento. O bambu nos ensina, assim, 7 coisas:
Se você tiver a grandeza e a humildade dele vai experimentar o triunfo da paz em seu coração.
A primeira verdade que o bambu nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, das dificuldades. Eu não me curvo diante do problema e da dificuldade, mas diante daquele, o único, o principio da paz, aquele que me chama, que é o Senhor;
A segunda verdade: o bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima ele tem para baixo também. Você precisa aprofundar a cada dia suas raízes em Deus na oração.
A terceira verdade: você já viu um pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que nasçam outros a seu lado (como no cooperativismo).Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre grudados uns nos outros, tanto que de longe parecem com uma árvore. Às vezes tentamos arrancar um bambu lá de dentro, cortamos e não conseguimos.
A quarta verdade que o bambu nos ensina é não criar galhos. Como tem a meta no alto e vive em moita, comunidade, o bambu não se permite criar galhos. Nós perdemos muito tempo na vida tentando proteger nossos galhos, coisas insignificantes que damos um valor inestimável. Para ganhar é preciso perder tudo aquilo que nos impede de subirmos suavemente.
A quinta verdade é que o bambu é cheio de “nós” (e não de eu’s). Como ele é oco, sabe que se crescesse sem nós seria muito fraco. Os nós são os problemas e as dificuldades que superamos. Os nós são as pessoas que nos ajudam, aqueles que estão próximos e acabam sendo força nos momentos difíceis.
A sexta verdade é que o bambu é oco, vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos preenche, que rouba nosso tempo, que tira nossa paz, não seremos felizes. Ser oco significa estar pronto para ser cheio do Espírito Santo.
Por fim, a sétima lição que o bambu nos dá é que ele só cresce para o alto. Ele busca as coisas do Alto. Essa é a sua meta.

                               Que o início dessa nova caminhada que vocês hoje começam faça de vocês criaturas novas, repletos da fé  de São José, da docilidade de Maria e do desejo de só agradar ao Senhor e tudo fazer para Sua maior glória. Amém!

Gustavo  - Ir. José (onomástico dia 19 de março)
Ana Paula – Ir. Maria (onomástico dia 8 de dezembro)

Mosteiro Nossa Senhora da Paz

Mosteiro Nossa Senhora da Paz
As Monjas do Mosteiro Nossa Senhora da Paz são herdeiras de uma grande tradição. Como os Apóstolos conviviam com o Senhor, assim as monjas vivem para ele, que as faz participar de sua vida divina!

Vida Monástica

Vivendo em comunidade o mistério da vocação cristã que as torna filhas de Deus e Irmãs em Cristo, as monjas têm um profundo relacionamento fraterno. Cada irmã tem a sua função própria e põe em comunhão seus talentos, habilidades e esperanças, a serviço de todas, na alegria de doação.
Juntas rezam, juntas trabalham, juntas estudam e se creiam. A comunidade não é apenas um meio humano para o crescimento das irmãs, mas possibilita comungar da vida de Deus, de quem ela assgura, a seu modo, a presença e a ação.

Postado por Fatima Freitas